Por Cláudia Rocco.
![]() |
Levantamento de água SOS Mata Atlântica |
Um levantamento com a medição da qualidade da água em 96 rios, córregos e lagos de sete Estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais), coordenado pela Fundação SOS Mata Atlântica, revela uma situação alarmante: 40% destas águas apresentam qualidade ruim ou péssima.
Os dados, divulgados na semana em que se celebra o Dia da Água (22 de março), foram coletados entre março de 2013 e fevereiro de 2014 e incluem um levantamento inédito, que envolveu 32 Subprefeituras da cidade de São Paulo, além de 15 pontos do Rio de Janeiro.
De um total de 177 pontos analisados, 87 tiveram sua qualidade da água considerada regular, 62 foram classificados como ruins e 9 apresentaram situação péssima. Apenas 19 dos rios e mananciais – todos localizados em áreas protegidas e que contam com matas ciliares preservadas – mostraram boa qualidade. E nenhum dos pontos analisados foi avaliado como ótimo.
Em porcentagem:
ÓTIMA
|
0
|
0%
|
BOA
|
19
|
10,73%
|
REGULAR
|
87
|
49,15%
|
RUIM
|
62
|
35,02%
|
PÉSSIMA
|
9
|
5,08%
|
TOTAL
|
177
|
100%
|
Já as principais fontes de poluição e contaminação são decorrentes da falta de tratamento de esgotos domésticos, de produtos químicos lançados nas redes públicas e da poluição difusa proveniente do lixo e resíduos sólidos descartados de forma inadequada nas cidades, além do desmatamento e do uso de defensivos e fertilizantes nas zonas rurais.
O pior desempenho de pontos próximos a grandes adensamentos urbanos fica evidente em um recorte que reúne as 34 coletas feitas pela equipe da SOS Mata Atlântica nas 32 Subprefeituras da cidade de São Paulo. O levantamento inédito, realizado durante o mês de fevereiro de 2014, apresentou os seguintes resultados:
ÓTIMA
|
0
|
0%
|
BOA
|
0
|
0%
|
REGULAR
|
6
|
17,65%
|
RUIM
|
20
|
58,82%
|
PÉSSIMA
|
8
|
23,53%
|
TOTAL
|
34
|
100,00%
|
ÓTIMA
|
0
|
0%
|
BOA
|
0
|
0%
|
REGULAR
|
9
|
40,00%
|
RUIM
|
6
|
60,00%
|
PÉSSIMA
|
0
|
0%
|
TOTAL
|
15
|
100%
|
ÍNDICES
|
2010
|
%
|
2014
|
%
|
ÓTIMA
|
0
|
0
|
0
|
0
|
BOA
|
5
|
4,44
|
15
|
13,2
|
REGULAR
|
50
|
44
|
37
|
32,6
|
RUIM
|
18
|
15,84
|
29
|
16,7
|
PÉSSIMA
|
15
|
13,2
|
7
|
6,16
|
TOTAL
|
88
|
100%
|
88
|
100%
|
Portanto, a conclusão é um tanto quanto paradoxal, pois apesar de triste e preocupante, a situação é otimista, já que os resultados apresentados em 2014 indicam uma melhora significativa em relação ao mesmo estudo realizado em 2010, quando 15% das águas eram consideradas péssimas (hoje são “apenas” 7%). O aumento das águas ruins de 18 para 29%, só foi possível, pois o péssimo diminui. As regulares, por sua vez, diminuíram de 50 para 37% e 15% das águas foram consideradas boas, contra 5% em 2010.
Sim, a situação é complexa e confusa e ainda temos um longo, muito longo caminho a percorrer para chegar em um cenário perto do aceitável. Mas, são estudos como esse e participação social (veja mais em nosso site) que podem nos levar a isso!
O relatório completo com especificações de todos os pontos analisados e classificações de cada ponto em 2010 e 2014, além de gráficos comparativos, podem ser acessados em http://bit.ly/rios2014.
Vamos comemorar o Dia da Água, celebrado amanhã (22/3) com mais carinho e respeito?
Matérias relacionadas:
Ajude a cuidar melhor dos nossos rios
Chico Bento em: Embaixador da proteção das nascentes do Pantanal
Nenhum comentário:
Postar um comentário